Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Poderes ocultos

A comunicação social ou uma certa comunicação social tem, nos últimos tempos, insistido em envolver a pessoa do Primeiro-Ministro em casos judiciais mediáticos, procurando, obcecadamente, criar nos portugueses a ideia de que o Primeiro-Ministro de Portugal não é pessoa em quem se deva confiar.
Diga-se que este propósito, em boa parte, foi conseguido.
Não falta quem nos diga, como evidência da “culpa” do Primeiro-Ministro, que “não há fumo sem fogo”,“que não há memória de um Primeiro-Ministro com tantas notícias a colocarem-no em causa”.
Quando contrapomos a esses o facto de, até agora, em nenhum desses processos haver sequer indícios que justifiquem aquelas noticias, retorquem-nos que alguma razão há-de haver para que assim se fale.
E depois, segue-se o contra-ataque, apontando o dedo às teses dos que vêem nessa “perseguição”, razões de ordem político-partidária, acusando-os de propagandearem teses mirabolantes, atentatórias da dignidade daqueles que no Estado têm a função de investigar e de julgar.
Para esses, essa é a única dignidade que importa.
A dignidade dos que no Estado têm a função de governar, para nada lhes interessa. Presumem, aliás, que governante não é pessoa confiável.
E assim anda dividido o País.
De um lado os que acreditam na inocência do Primeiro-Ministro e que as noticias que aqui e ali vão surgindo, colocando em causa essa inocência, mais não são do que resultado de “infiltrados” que não olham a meios para atingirem os fins e que querem pela via do terrorismo politico conseguir o que não almejaram pela via eleitoral.
Do outro, os que vêem naquelas noticias o fumo, do fogo que não conhecem, mas que não duvidam que haja, por acreditarem que se se fala do Primeiro-Ministro tanto e por tão más razões, então é porque alguma ele há-de ter feito.

Pelo meio, há sempre tempo para aturar uma senhora que insiste na falta de liberdade, no país amordaçado e que nos aponta como céu, as boas práticas do senhor da Madeira.
Mas, para essa, o País tem toda a paciência do mundo, até porque já não há ninguém que lhe ligue. Todos sabem que a dita senhora politicamente não existe e que o seu tempo, é só o da espera de quem a substitua.

Querem saber, é do destino das escutas ao Primeiro-Ministro.
Pouco importa o próximo orçamento do Estado. As grandes opções para os próximos tempos. A taxa de desemprego que galopa. A recuperação económica que tarda. O défice que derrapa.
Que importam essas pequenas questões?!
O que País quer é saber se as escutas vão ou não ser publicadas.
A sua legalidade ou ilegalidade, também, de nada interessa.
Quando muito serve para entreter os juristas em grandes discussões que nada esclarecem, apenas servindo para descredibilizar a justiça e enraizar o dito popular de que “cada cabeça sua sentença”.
Irremediavelmente, a política entrou que nem um furacão pela justiça dentro e deu-lhe cabo das réstias de credibilidade que ainda mantinha.
Seja qual for o destino dos dois casos mais mediáticos da justiça, o chamado “caso Freeport”, ou o agora chamado “caso Face Oculta”, o que eles já deixaram claro foi que a justiça se deixou instrumentalizar pela política e que a politica se serve da justiça como arma de arremesso.
A forma como a justiça se deixou enrolar, num e noutro destes casos, pelos interesses políticos, não augura nada de bom.
A independência da Justiça está mais que comprometida aos olhos do povo, em nome de quem é exercida, e as decisões judiciais que nestes casos se venham a tomar, ficarão envoltas na suspeição de que as suas motivações não foram exclusivamente alicerçadas na defesa do Direito.
A pairar sobre elas, estarão sempre interesses políticos, movidos por poderes ocultos que ninguém consegue desvendar, apesar dos rastos deixados pelas sucessivas violações do segredo de justiça.
E assim anda entretido o país!

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Sinais…

Alberto Santos inicia o último dos seus mandatos com uma novidade. Contrariamente ao que aconteceu nos últimos dois mandatos, neste, a Câmara Municipal de Penafiel não terá vice-presidente.
Este facto a que ninguém deu, até agora, relevância, é, do meu ponto de vista, de grande importância para perceber as dinâmicas que se vão estabelecendo no xadrez da coligação que governa Penafiel.
Sabemos todos que, em 2013, por força da limitação de mandatos, o PSD ou a Coligação, terão, necessariamente que encontrar uma alternativa ao actual Presidente de Câmara.
A composição da Câmara Municipal em exercício e, em especial, a feitura da lista da Coligação Penafiel/Quer, demonstraram que o parceiro da coligação, o CDS/PP tem nela uma presença e um peso político substancialmente superior ao seu valor eleitoral. Ao eleger dois vereadores e o Presidente da Assembleia Municipal, o CDS obtém pela via negocial, um peso político que dificilmente alcançaria pela via da vontade dos eleitores. Some-se a esse peso político a importância que na distribuição de pelouros foi dada ao Vereador do CDS Antonino de Sousa, que destrona Mário Magalhães na condição de super-vereador, e fica-se com a dimensão da importância que Alberto Santos dá ao seu parceiro de coligação.
Olhando para a composição da lista de candidatos da Coligação à Câmara Municipal, à distribuição de pelouros e aos tempos atribuídos a cada um dos vereadores, percebe-se que Alberto Santos tivesse optado por, formalmente, não indicar vice-presidente.
No PSD seguramente não se compreenderia que esse papel fosse assumido pelo n.º 2 da lista da Coligação, uma personalidade do CDS e a n.º 3 e segunda indicação do PSD, não tendo disponibilidade para desempenhar as funções de Vereadora a tempo inteiro, não seria aceitável que, em face de tal indisponibilidade, lhe fosse confiada a vice-presidência. Nesta perspectiva, a vice-presidência iria cair no colo do Vereador Mário Magalhães. Esse papel, porém, não o quis Alberto Santos destinar a este Vereador, sinal evidente de que o ex-super vereador já teve melhores dias no seio da Coligação...


Analisando a distribuição de pelouros e comparando essa distribuição com a do mandato anterior, percebe-se que Alberto Santos não tenha designado vice-presidente.
Não podendo ou não querendo atribuir esse papel a Antónino de Sousa, o verdadeiro número dois da Câmara Municipal, Alberto Santos deixou claro o organigrama da sua Vereação na distribuição dos pelouros.
Antonino de Sousa com os pelouros que lhe foram atribuidos, é, sem margem para qualquer dúvida, o primeiro de todos os demais Vereadores de Alberto Santos. Na pratica, o seu vice-presidente.

Claro que o PSD não pode admitir publicamente esta realidade. A dimensão eleitoral do CDS não permite que Alberto Santos assuma perante os seus companheiros tal condição. No entanto, os factos estão aí e as leituras politicas que desses factos se podem fazer, permitem concluir que Mário Magalhães dificilmente será o substituto de Alberto Santos quando as escolhas eleitorais para 2013 forem conhecidas.
Com esta decisão de não escolher vice-presidente e com a distribuição de pelouros que fez, Alberto Santos quis e consegui travar naturais impulsos de todos aqueles que no PSD procuram posicionar-se para 2013 e deixou abertas as portas da esperança dos que vêem em Antonino de Sousa o sucessor natural de Alberto Santos, pese embora a sua condição de dirigente do CDS, o parceiro anão da Coligação Penafiel/Quer.

As escolhas de Alberto Santos deixam claro que este mandato será mais que nunca, um mandato virado para o novo ciclo eleitoral que em 2013 se iniciará.

É tendo em conta este contexto que o PS/Penafiel terá que pensar e agir, sendo certo que pelo ar da carruagem, para o lado da Coligação este mandato vai ser bem diferente do anterior e as proclamadas unidades sempre presentes quando se é poder, começarão, inevitavelmente, a dar sinais de erosão.

Todavia, ainda é muito cedo para que no PS se espere que o poder municipal lhe caia no regaço por força de uma qualquer desagregação da actual maioria.

O PS vai ter que fazer pela vida e demonstrar, mais por actos do que por palavras, de que está à altura de merecer a confiança dos Penafidelenses.

Estes próximos quatro anos prometem.
Vai valer a pena andar por aqui!

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Sinceramente, não percebo.

Não percebo a nova revindicação dos pró-discriminação, acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ou do casamentos dos gays, como lhe quiserem chamar.
Quando dantes o tema não era prioritário, agora querem um referendo. Sinceramente, espero que os Partidos não caiam na esparrela e convoquem o dito referendo, pois o mesmo seria o referendo mais inútil da História da Democracia Portuguesa. Como se eu fosse agora referendar um possível casamento meu, ou todos os portugueses fossem referendar o seu casamento.

Dos voos

A "podre" Itália investiga, o nosso Portugal arquiva...

Sameiro

Sameiro