Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Errar é humano, insistir e persistir no erro é que não…

Há quinze dias atrás, numa primeira análise aos resultados eleitorais, pareceu-me claro que depois de um desaire eleitoral com a dimensão do verificado em Penafiel, a todos os socialistas se tornaria evidente a necessidade de tocar a reunir.
Os sinais que, entretanto, foram sendo dados, apontam, porém, em sentido contrário.
O candidato do PS e a partir de agora primeiro vereador da oposição na Câmara Municipal, numa atitude de quem ainda não deu conta da dimensão da derrota sofrida, antes de qualquer reflexão sobre as razões mais profundas para tão manifesta reprovação do projecto e atitudes que defendeu e assumiu durante a pré-campanha e campanha eleitoral, insiste na lógica da divisão interna, procurando, por antecipação, marcar diferença em relação aos que o precederam no exercício daquele cargo, anunciando que, com ele, Penafiel terá uma oposição à altura.
Não fosse essa lógica, o reincidir num comportamento que tão maciçamente foi rejeitado nas eleições e louvaria tão arrojada atitude. Depois de tão copiosa derrota, é digno de registo que não tenha assolado ao candidato do PS qualquer ideia de desânimo, de convencimento da rejeição sofrida, assumindo ares de vencedor pronto para os combates.
Porém, a dimensão da derrota eleitoral, aconselha prudência e reflexão. Penafiel disse claramente que não quer uma qualquer oposição, muito menos o continuar do discurso que marcou a campanha do Partido Socialista.

Sejamos claros.
Se em 2005, com um partido dividido, exaurido por uma luta interna, com os protagonistas do tempo em que o PS foi poder alheados da candidatura ou declaradamente contra ela, com um clima nacional prejudicial, por força das reformas iniciadas pelo governo da Republica, com um candidato “desconhecido”, “lá de baixo”, foi possível conseguir um resultado de 30%, em 2009, com um candidato preparado a quatro anos, no desempenho de relevantes funções públicas, ex-super vereador da Câmara socialista, “muito conhecido”, com o apoio entusiástico do PS, (pelo menos do PS/ 93 a 99), com todos a remar para o mesmo lado, sem qualquer contestação interna, qualquer resultado abaixo dos 40% teria, necessária e coerentemente, de ser considerado um mau resultado. Um resultado abaixo dos 30% não tem qualificação possível. Se no rescaldo das eleições de 2005 foram pedidas demissões, se os candidatos perdedores foram aconselhados a demitirem-se e depois corridos de todos os lugares de direcção do partido, que dizer agora perante um resultado destes?!

No PS , depois de tudo o que aconteceu nestes últimos quatro anos e das escolhas feitas para a candidatura de 2009, ainda há quem se atreva a culpar os candidatos de 2005 pelos resultados de agora.
Haja paciência…

Escrevi, há quinze dias atrás que é nas grandes derrotas que se começam a construir as grandes vitórias.
Temo, pelas reacções de camaradas meus aos resultados eleitorais, que a unidade que defendi, como condição necessária à afirmação do PS, seja um caminho muito mais árduo que aquele que previa, convicto que estava que a coerência dos que tanto me fustigaram com os resultados obtidos em 2005, os levaria a arrepiar caminho, reconhecendo os erros cometidos, compreendendo a mensagem que os Penafidelenses nos quiseram dar, ao diferenciar de forma tão vincada, o seu voto para as legislativas, do seu voto para as autárquicas.
Espero que a ressaca de uma noite eleitoral tão adversa passe rapidamente e que a clarividência daqueles que no rescaldo de 2005 tão assertivamente fizeram o diagnóstico das causas de uma derrota por eles anunciada a um ano de distância, os faça compreender que não é insistindo nas lógicas de diferenciação interna que o PS recuperará o prestígio perdido e a credibilidade necessária para se afirmar como alternativa de poder.

E não podemos esquecer que 2013 é já ao virar da esquina…

Domingo, Outubro 25, 2009

Editoriais...

Penafiel é uma cidade com a sua dimensão, bastante perto da cidade do Porto e de importantes vias de comunicação, e onde se notam bastantes características urbanas.

No entanto, a nível de mentalidades, Penafiel e as outras cidades do Vale do Sousa, ainda estão algo longe da mentalidade urbana que se vive e sente no Porto ou em Coimbra. Um excelente exemplo de tal é este editorial do Jornal O Verdadeiro Olhar.

O Editor, que desconheço, começa o seu editorial qualificando um Prémio Nobel da Literatura de ignorante, facto delicioso, pois não conheço nenhuma prova de grande cultura da parte do ilustre editor, antes pelo contrário. No entanto, o mesmo vai mais longe e com a toda a sua cultura democrática, atira que Saramago não tem direito a ter falhas de honestidade intelectual. Alias, este mesmo editor, critica toda a comunicação social de dar tempo de antena ao escritor a coberto, pasme-se, da liberdade de expressão... A liberdade de expressão é uma chatice para este editor de jornal.
Voltando às primeiras palavras deste artigo, a opinião publicada por este editor, mostra bem a mentalidade ainda conservadora reinante em algumas pessoas, não se pode criticar o clube da terriola, nem criticar qualquer coisa que o padre da terriola goste. Quando alguém comete o erro de praticar algum destes pecados mortais, vem a banda do moralmente correcto em força utilizando todas as armas contra os pecadores que ousaram mexer nas vacas sagradas das terriolas, o clube de futebol, ou a religião.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Onde estão?

Depois de ler a imprensa local de Penafiel, a que tenho acesso pela Internet, fiquei com uma dúvida. Queria saber onde estão tão ilustres figuras do PS/Penafiel, que há quatro anos revoltaram-se porque o PS/Penafiel tinha tido o seu pior resultado de sempre...

Acho muito curioso, que essas mesmas figuras agora, não se revoltem outra vez pelo PS/Penafiel, ter descido ainda mais...
Ou será que o Sebastianismo é de tal maneira que tolda o raciocínio?
Nota: Nunca fui Sebastianista, se o fosse, seria militante do PPM.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Aquém dos objectivos mínimos

As eleições autárquicas de domingo vieram confirmar o que as sondagens publicadas neste jornal deixavam prever. Perante aquelas sondagens não faltou quem procurasse imputar ao núncio as culpas pelas más notícias, fazendo-nos recuar ao tempo em que a solução dos problemas anunciados estava na morte do mensageiro.

Conhecidos os resultados, veio-me à memória os momentos que vivi na noite eleitoral de 9 de Outubro de 2005 e o linchamento político que alguns – camaradas meus e comentadores da nossa praça – me quiseram fazer. Como me lembrei da noite em que o PS reuniu a sua Comissão Politica para analisar os resultados dessas eleições… O que eu não ouvi!

Chamo à lembrança as eleições autárquicas de 2005 não para qualquer comparação com as eleições de 2009, muito menos para ajustar contas seja com quem for.

O que gostaria é que todos, agora que estamos confrontados com esta estranha realidade de procurar as justificações para uma derrota, ainda mais pesada que aquela que eu, (e o PS), sofremos em 2005, se deixem das explicações fáceis de então, em que tudo era levado à conta dos candidatos, dos maus candidatos, diziam. Também gostaria que, face à mais pesada derrota eleitoral do PS, não houvesse tentações de “refundar” o PS/Penafiel, excluindo-se os que agora perderam.

Estes resultados, como os resultados de 2005, têm razões bem mais complexas que aquelas que então foram apontadas e que exigem uma bem mais consistente análise e uma mais ponderada reflexão do que aquelas a que o PS se (não) deu ao trabalho no rescaldo das autárquicas de 2005.

O espírito de facção que dominou o PS nos últimos anos pode ser suficiente para alimentar poderes internos. Está demonstrado, todavia, que, com esse espírito, o mínimo eleitoral agora atingido - mais um recorde que infelizmente é quebrado, deixando, com pena minha, de me pertencer – voltará, numa próxima oportunidade a ser superado. Estes resultados deixaram claro que só com uma forte, sentida e vivida unidade, o PS/Penafiel pode aspirar a ter futuro.

Nestas eleições, todas as circunstâncias militaram em favor da nossa candidatura. Tivemos um candidato escolhido por unanimidade. Ao contrário do que aconteceu em 2005, ninguém deu nota de qualquer divergência. Todos os autarcas e em especial os senhores presidentes de Junta de Freguesia aplaudiram a escolha. Ninguém deu voz a qualquer descontentamento.

O PS empurrou as suas candidaturas para cima. Todos sabemos que em 2005 o PS aumentou as dificuldades dos candidatos. Em 2005 a maré foi desfavorável ao PS. O PS perdeu as autárquicas, perdeu muitas das suas Câmaras Municipais. Em 2009 o PS ganhou as eleições, reforçou substancialmente o número de mandatos e de presidências de Câmara. Ninguém terá dúvidas quanto ao efeito benéfico que os resultados das eleições legislativas tiveram para o PS nas eleições autárquicas.

Quinze dias antes das autárquicas mais de dezoito mil penafidelenses tinham confiado no PS. Nas eleições autárquicas quatro mil desses dezoito mil não confiaram nas nossas candidaturas para o governo do município. Esta falta de confiança, é em nós, socialistas de Penafiel e não no PS. Esta diferença tem que estar no centro de todas as nossas preocupações. Das respostas que encontrarmos para a sua explicação dependerá o futuro do PS/Penafiel.

Esta na hora de tocar a unir. Depende de nós, de todos nós que nos identificamos com os valores e princípios defendidos pelo Partido Socialista, assegurar que, na próxima vez, tudo será diferente.

Basta de sebastianismos. Basta de procurar no passado as soluções de futuro. Basta de exclusões.

Se não praticarmos entre nós a solidariedade, não a podemos proclamar em relação aos outros.

Não nos podemos esquecer que quando o PS vai a votos e perde, perdemos todos, não perde apenas quem foi candidato.

Com arte e engenho é nas grandes derrotas que se começam a construir as grandes vitórias. Que aos socialistas de Penafiel não falte a humildade para reconhecer que só na unidade serão fortes e que no trabalho encontrarão o caminho das vitórias, na certeza de que Penafiel precisa de um PS unido e fortalecido nas suas convicções.

No dia seguinte das Autárquicas

No dia seguinte das Autárquicas, e vendo os resultados pela Internet, lembro-me de há cerca de quatro anos, quando um grupo de militantes, prometeu uma refundação do PS/Penafiel, com uma moção de título "Acreditar no Futuro".

O futuro não foi muito risonho, assim como a refundação ainda piorou o resultado para a Câmara Municipal e para a Assembleia Municipal.

O PS/Penafiel, provou que precisa de mudar de vida...provou para quem ainda não se tinha apercebido.
Como nota, quero saudar a candidatura do PS ao Município de Vila Franca do Campo, que partindo de uma situação bastante desvantajosa, conseguiu uma excelente vitória contra todas as previsões. Um excelente exemplo a ser seguido pelo PS/Penafiel.

Sameiro

Sameiro