Terça-feira, Janeiro 30, 2007

O voto

Venho escrever sobre o voto, um pouco também devido ao referendo que aí se aproxima. No entanto não vou falar sobre as razões de eu votar Sim, mas sim nas razões de eu simplesmente ir votar sempre que necessário.
Durante uma série de anos, existiu um povo que foi subjugado a um domínio estrangeiro, e durante esse espaço de tempo o invasor massacrou e oprimiu fortemente esse povo. Durante longos anos esse povo sofreu em silêncio, pois a sua localização era remota, e a sua independência não era uma prioridade para a comunidade internacional. Durante anos esse povo lutou com o pouco que tinha, mas lutou sempre afincadamente pela sua auto-determinação. Aos poucos a sua causa foi ganhando visão a nível internacional, até ao ponto de se convocar uma consulta popular ao povo sobre o que queria para o seu futuro, uma autonomia especial ou a independência.
Mesmo assim esse referendo foi um presente envenenado, pois a repressão, os homicidios, as torturas continuaram durante o recenseamento e a campanha para o referendo. Mesmo com a ameaça sobre as suas vidas, esse povo saiu do seu esconderijo e foi votar, e votou pela independência. Esse povo é o povo de Timor-Leste. É o povo corajoso e com capacidade de sofrimento, é o povo que decidiu por si próprio, é o povo que mostrou ao Mundo o poder da escolha e o poder do voto. É o povo que se sacrificou, para poder escolher o seu destino. E pelo povo de Timor-Leste, em cada acto de colocar a cruz, dobrar o boletim em quatro e deposita-lo na urna, eu faço uma sentida homenagem, pois esse povo mostrou-me o valor do voto e o valor da participação nos destinos colectivos.
E a todos faço um apelo, votem, independentemente do sentido de voto, mas votem, de certeza que não arriscam a vossa vida ao ir votar. O povo de Timor arriscou a sua vida, mas mesmo assim foi em massa votar.
Por si e por todos, decida e não deixe que os outros decidam por si.

Domingo, Janeiro 28, 2007

Os queixinhas...

"ser arguido é hoje uma vulgaridade numa sociedade em que todos apresentam queixas contra todos"
in http://filipemenezes.blogspot.com

Para os Menezistas de PENAFIEL reflectirem, ou não os haverá em Penafiel?!

Será que no PSD, não há X e Y? Pensarão todos da mesma maneira?
Às vezes, e tantas foram as vezes que o PSD procurou glosar em torno das diferenças no PS/Penafiel, dá a impressão que não!
Quando se é poder, a atracção pelo pensamento único, é forte...
Será ela irresistível em Penafiel?

Domingo, Janeiro 21, 2007

Contra o aborto, voto pelo sim.

Não é criminalizando que se combate o aborto.
A lei, em qualquer uma das suas versões, a actual ou aquela que a antecedeu, não impediu milhares de mulheres de abortarem.

Portugal não é uma ilha, muito menos isolada.

Não faz sentido que Portugal proiba o que a vizinha Espanha permite. Essa diferente forma de encarar o aborto, apenas serve para que as clínicas privadas próximas da fronteira aumentem os seus lucros.

Ter ou não ter um filho é uma decisão da consicência individual, não da consciência colectiva. Se todos somos livres de ter opinião, ninguém tem o direito de impor a sua opinião, pela força do Estado.

Por isso sou contra a criminalização do aborto. Por isso vou votar no referendo e votar no SIM.

Acredito que a vitória do sim, obrigará o Estado a criar melhores condições de apoio à mulher e à maternidade do que aquelas que hoje existem.

Acredito que não é pela lei que se combate o aborto.
A mulher que aborta é uma mulher em sofrimento.
Nada ganha com o aborto.
Perde sempre!
Não é a ameaça de uma pena que fará com que uma única mulher deixe de abortar.

Manter a lei que temos é fingir que temos um Estado assistencial perfeito.
È julgar quem sofre, aumentando esse sofrimento pela humilhação de um julgamento.

Sábado, Janeiro 20, 2007

Segredo de Justiça, mais furado que uma peneira!

O Procurador Geral da República, esta semana, numa audição na Assembleia da República confessou a incapacidade do Estado para assegurar o cumprimento do segredo de justiça. Pela boca do Senhor Procurador ficou o País a saber que não há processo em segredo de justiça que a justiça guarde contra a curiosidade de qualquer jornalista. Basta haver interesse jornalístico no processo, para acabar o segredo da justiça. E a responsabilidade pela quebra do segredo, seguramente não é do jornalista, lembrando as palavras do Senhor Procurador, os jornalistas não são intervenientes nos processos, é do processo que sopram aos ouvidos dos atentos jornalistas...

As palavras do Senhor Procurador-Geral mereceram severa critica de alguns puritanos da nossa praça.

Segundos estes pensadores arvorados em detentores da verdade e da boa moral e rectidão, ao Procurador Geral está vedada a franqueza, exige-se-lhe que faça de conta, que não diga aquilo que toda a gente vê, que tape o sol com uma peneira.

Agora, como se pode ver aqui, é mais fácil ao senhor Procurador-Geral da Republica tapar o sol com a peneira, do que coser o saco roto em que o segredo de justiça se transformou.

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

Campanha?

Custa-me a acreditar que num País como o nosso ainda existam argumentos de campanha da categoria que aqui está demonstrada. A ameaça de excomunhão aos Católicos que votem Sim. Este Cónego deve estar esquecido que para além do voto ser secreto, as pessoas podem exprimi-lo consoante as suas convicções sem que lhes caiam em cima represálias de qualquer tipo. Infelizmente, existem ainda muitas pessoas que não sabem o que é a democracia, e a democracia é a liberdade de escolha, de opinião, de pensamento e de culto também. Acho que já é mais que tempo de certas facções da Igreja aceitarem a Democracia como um bem para um mundo melhor e de passarem também a contribuir para a mesma Democracia de modo a poderem dar o seu contributo e enriquece-la ainda mais.

Sábado, Janeiro 13, 2007

SE QUERES DISCUTIR O QUE FAZEMOS, FÁ-LO NO TRIBUNAL!

Os responsáveis políticos da actual maioria municipal encontraram uma nova forma de se opor às críticas que a oposição lhes faz: calam-se e vão-se queixar-se ao Tribunal!

O PS, como vem sendo usual, na Agrival 2006, fez sair um comunicado, onde fez o balanço daquele certame e, naturalmente, como partido da oposição que é, apontou falhas, fez criticas, deixou perguntas e algumas inquietações.

Parece-me que esse é o papel que as democracias destinam e esperam das oposições.

Aos bons ou aos maus fundamentos dos argumentos usados pelo PS, esperava-se que a maioria contrapusesse os seus, fossem eles melhores, iguais ou piores que aqueles, esperando que os eleitores, únicos donos da verdade e quem mais ordena nestes diferendos de opinião, na sua inteligência, soubessem de que lado estava a razão.

Noutros tempos, era o PS poder, e quer o PSD, quer o CDS, também fizeram comunicados!E também os fizeram com balanços das feiras da Agrival.
É verdade, quando eram da oposição também faziam comunicados!
Agora não precisam.
Têm a revista municipal.

Nesses comunicados, apontaram falhas, deixaram perguntas e inquietações e muitas das vezes, ultrapassaram o plano da inquietação, entrando por outros domínios, em medida igual, àquela de que agora se queixam.

Quem tiver memória curta que vá aos arquivos dos nossos jornais locais e recupere as pérolas de tempos idos que alguns dos senhores do poder municipal agora instalado, fizeram chegar até aos seus leitores.

As termas de S. Vicente, agora, como desde 1998, data em que encerraram ao público, têm sido tema de muita conversa e acesa luta politico-partidária.

As nomeações para a Presidência da Junta de Turismo, desmentem aqueles que pretendem não haver nenhuma relação com a politica local nas disputas que, de vez e quando, surgem nos nossos jornais, a respeito daquele tema.

O PS, a respeito de um conhecido e público problema relacionado com a propriedade do “Café Turismo”, fez chegar um comunicado às redacções da comunicação social da nossa praça.

Nesse comunicado, deixou ficar vincada a sua posição.
Chamou a atenção para algumas situações que na sua opinião configurariam prejuízos para o interesse público.
Fê-lo com a informação que tinha e com a frontalidade de quem não se fica pelas meias palavras.
Podia usar palavras manhosas, dissimuladas, dizendo o mesmo que escreveu, mas recorrendo à tradicional linguagem metafórica que os políticos costumam usar, assim não se comprometendo.
Não o fez.
Usou termos que seres mais sensíveis e esquecidos do passado, podem configurar com atentatórios para a sua dignidade, como não soubessem que não é disso que se trata. Como não soubessem que o PS não quis, não quer, por em causa a seriedade ou honestidade pessoal, seja de quem for.
Como não soubessem que tudo se reduz a diferentes concepções políticas e ao salutar confronto de opiniões e de soluções.


Afinal, quando as Termas de S. Vicente encerraram, os responsáveis políticos da actual maioria, não se esmeraram no aproveitamento dessa situação, para dela tirar todo o benefício político possível, promovendo manifestações, desenvolvendo as mais diversas acções, onde também os comunicados não faltaram e não formularam considerações e juízos de valor sobre os titulares da Câmara Municipal do tempo, de que eles nada gostaram?

A maioria municipal, àqueles comunicados do PS, fez ouvidos de mercador.

Preferiu fazer de conta que os mesmos se situavam fora do debate político.
Afinal, tais assuntos, para alguns dos responsáveis do PSD e do CDS, só estiveram no âmbito da acção política no tempo em que eram da oposição.
Agora que são da situação, acham que esses assuntos já não podem ser discutidos e ficam muito ofendidos com todo e qualquer deslize de linguagem dos seus opositores, a ponto de correrem para o Tribunal, a fazer queixa!

O PS, enquanto foi poder municipal, nunca reagiu aos comunicados do PSD, do CDS ou da CDU, com queixas-crime.
E razões para tal, a seguir os critérios de algumas pessoas, não lhe faltariam. Até abundariam e em quantidade suficiente, para fazer entupir, ainda mais, os nossos tribunais com assuntos de “lana caprina”.

Nestes novos tempos, a moda está em fazer de conta que a oposição não diz nada, não faz nada, e passa a vida em guerras e guerrilhas, entre a facção dos mais e a facção dos menos, os A e os B, os X e os Y, e quando da oposição alguém levanta a voz em tom mais grosso, os senhores da situação, quais meninos de escola, correm até ao Tribunal mais próximo e apresentam queixa, pretendendo que o debate político que os assuntos objecto dos comunicados deveria merecer, seja substituído pela disputa judicial.

Em Penafiel não há confronto político, porque a maioria prefere a barra do Tribunal à disputa politica.

Acha que é mais ajustado à nossa democracia local, ver o Tribunal a dirimir conflitos políticos que fazer funcionar os nossos órgãos autárquicos, contrapondo, nessa sede, os seus argumentos aos argumentos dos seus adversários.

E depois ainda há quem diga que as reuniões de Câmara e da Assembleia são demasiado meigas.

Se mesmo assim vai tudo corrido a processo-crime, imaginem lá o que seria se fossem mais “acesas”.

A este propósito, aconselho a todos aqueles que andam na política, a terem presente este pesamento:

"Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir"

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Mais 20000

Como se pode verificar por aqui, a política para o Iraque deste inquilino da Casa Branca, apenas assenta num pressuposto, guerra, guerra e mais guerra. Mais 20 mil soldados, como se violência, fosse a receita para acabar com violência. Mesmo tendo obtido, o seu partido, uma derrota nas últimas eleições norte-americanas para o Senado e para a Cámara dos Representantes, tendo o povo Norte-Americano reprovado a guerra, Bush, o suposto liberal, que os supostos liberais portugueses tanto admiram, responde em enviar mais vinte mil soldados para o atoleiro iraquiano. O Mundo vai de certeza ficar um local mais seguro, ou não.

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Liberdade, solidariedade e desprezo

A liberdade é actualmente um direito consagrado na carta dos direitos do homem, no entanto ao longo dos tempos, a liberdade tem sido uma conquista para os povos. O mesmo aconteceu no nosso País.
Sendo a liberdade um direito, a mesma exige responsabilidade e bom senso, sendo que devemos sempre respeitar a máxima de que a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros. Quando um indivíduo não respeita essa máxima, ou suspeito de não respeitar essa máxima, é normalmente encaminhado para os tribunais a fim de se chegar à verdade dos factos.
Muito mais poderia eu dizer sobre a liberdade, no entanto não o faço, pois tenho liberdade para tal, e faço uso dessa liberdade também para escrever neste espaço o que vai na alma e o que a consciência me dita. Este espaço, como outros similares, são espaços de excelência para a expressão das liberdades de cada um e para a troca de ideias. Este espaço, como outros similares não são atentados à liberdade defendida pelo socialismo democrático. Este espaço, como outros similares não bichos-de-sete-cabeças, prontos a atacar as mentes mais incautas, alias são também espaços para a excelência de informar sobre factos menos correntes na comunicação social. Estes espaços não são de maneira nenhuma os maus da fita.
A solidariedade é um sentimento bastante elevado e altruísta. As pessoas solidárias são pessoas com muito valor, pois estão sempre dispostas a ajudar quem mais precisa. No entanto temos de ter cuidado quando pronunciamos essa palavra, e mais cuidado ainda quando se exige solidariedade ao terceiro. A característica mais bonita e peculiar da solidariedade, é que esta, quando sincera e verdadeira, é recíproca. E quando alguém se auto-intula solidário, ou exige solidariedade de outrem, tem de ter em conta a tal reciprocidade deste sentimento. Trocando por miúdos, porque até os analfabetos destas coisas informáticas têm o direito e a liberdade de compreenderem o que é a solidariedade, quando se pede um pouco a sopa do vizinho, temos de estar dispostos a dar um pouco da nossa sopa quando o vizinho precisar, isto sim é ser solidário. Não se é solidário ao apenas pedir a sopa ao vizinho, e não se interessar quando este necessita de sopa.
Para as pessoas que não querem compreender isto, têm a liberdade para tal, podem sempre desprezar e ignorar o que aqui está escrito, e podem sempre ler outras coisas que achem mais interessantes. No entanto fica sempre o lado positivo de que ao ignorarem ou desprezarem o que aqui está escrito, é porque até tem a sua importância e pertinência, e porque até houve alturas em que não desprezavam, nem ignoravam o que aqui se escreve. Ao desprezo, também devo juntar que eu próprio muitas vezes já desprezei palavras, atitudes…
Quem quiser comentar, tem a liberdade para tal, podendo mesmo exprimir a sua opinião sob o anonimato, ou não.

Sameiro

Sameiro