Diga-se que este propósito, em boa parte, foi conseguido.
Não falta quem nos diga, como evidência da “culpa” do Primeiro-Ministro, que “não há fumo sem fogo”,“que não há memória de um Primeiro-Ministro com tantas notícias a colocarem-no em causa”.
Quando contrapomos a esses o facto de, até agora, em nenhum desses processos haver sequer indícios que justifiquem aquelas noticias, retorquem-nos que alguma razão há-de haver para que assim se fale.
E depois, segue-se o contra-ataque, apontando o dedo às teses dos que vêem nessa “perseguição”, razões de ordem político-partidária, acusando-os de propagandearem teses mirabolantes, atentatórias da dignidade daqueles que no Estado têm a função de investigar e de julgar.
Para esses, essa é a única dignidade que importa.
A dignidade dos que no Estado têm a função de governar, para nada lhes interessa. Presumem, aliás, que governante não é pessoa confiável.
Do outro, os que vêem naquelas noticias o fumo, do fogo que não conhecem, mas que não duvidam que haja, por acreditarem que se se fala do Primeiro-Ministro tanto e por tão más razões, então é porque alguma ele há-de ter feito.
Pelo meio, há sempre tempo para aturar uma senhora que insiste na falta de liberdade, no país amordaçado e que nos aponta como céu, as boas práticas do senhor da Madeira.
Mas, para essa, o País tem toda a paciência do mundo, até porque já não há ninguém que lhe ligue. Todos sabem que a dita senhora politicamente não existe e que o seu tempo, é só o da espera de quem a substitua.
Querem saber, é do destino das escutas ao Primeiro-Ministro.
A sua legalidade ou ilegalidade, também, de nada interessa.
Quando muito serve para entreter os juristas em grandes discussões que nada esclarecem, apenas servindo para descredibilizar a justiça e enraizar o dito popular de que “cada cabeça sua sentença”.
Seja qual for o destino dos dois casos mais mediáticos da justiça, o chamado “caso Freeport”, ou o agora chamado “caso Face Oculta”, o que eles já deixaram claro foi que a justiça se deixou instrumentalizar pela política e que a politica se serve da justiça como arma de arremesso.
A independência da Justiça está mais que comprometida aos olhos do povo, em nome de quem é exercida, e as decisões judiciais que nestes casos se venham a tomar, ficarão envoltas na suspeição de que as suas motivações não foram exclusivamente alicerçadas na defesa do Direito.
A pairar sobre elas, estarão sempre interesses políticos, movidos por poderes ocultos que ninguém consegue desvendar, apesar dos rastos deixados pelas sucessivas violações do segredo de justiça.


